Paula
Pontes, Laís Carpenter e Bárbara Fernandes
Realizada quase um mês após o início da greve dos
professores das universidades federais, que paralisou também a UFF, a
quarta edição, a quarta edição do Controversas UFF superou o campus vazio e
lotou uma de suas salas, deixando pessoas em pé e do lado de fora. O “Controversinhas”,
como foi apelidado, pois é uma versão menor do evento que teve sua primeira
edição no segundo semestre de 2010, foi realizado na última segunda-feira, 18
de junho, às 18 horas. Na sala 100 do Instituto de Artes e Comunicação Social
(Iacs) da UFF, cerca de setenta alunos, ex-alunos e professores foram ouvir e
debater sobre o Jornalismo Cultural.
A mesa foi composta por seis profissionais que já
trabalharam ou ainda trabalham na área cultural e que se formaram na UFF, nos mais
diversos anos. Desmitificando que os mais velhos devem ser os primeiros falar,
o professor e mediador João Batista de Abreu deu a palavra para Vivi Fernandes
de Lima, que, de forma acanhada, começou o debate. Afirmou que sempre gostou de
ser jornalista e usou o tempo da universidade para ganhar experiência,
principalmente em escala local. Participou da TV comunitária do bairro onde
morava, vendeu pautas para uma revista de música e, atualmente, é editora da Revista
História da Biblioteca Nacional.
A segunda a se apresentar foi Claudia Lamego, que, hoje, é
coordenadora da Imprensa e Eventos da Fundação Roberto Marinho. Porém, para chegar
no lugar que considera o melhor de sua carreira, teve que começar pela
monografia, sobre a atuação do cineasta Glauber Rocha como jornalista na Bahia.
O terceiro convidado a falar sobre sua vida profissional foi
Ulisses Mattos, jornalista de ‘forte texto e bem humorado’, como ele mesmo definiu.
Ulisses se dedicou durante muito tempo ao “jornalismo de entretenimento”, como
é conhecido. Foi essa experiência que o inspirou a criar a revista M..., um
caderno de comportamento e humor. Hoje, atua como humorista e roteirista de
textos humorísticos.
A quarta palestrante foi Alda Maria Almeida, que possui
grande experiência com rádio, pois trabalhou durante muitos anos na rádio MEC e
Fluminense. Alda entrou na UFF em 1979 e,
em tempos de guerrilha, conheceu um jornalismo revolucionário, aquele em que o profissional
queria mudar o mundo. “Uma besteira!”, disse ela, e continuou: “Depois de um
tempo, você vê que é impossível fazer isso sozinha”. Mesmo assim, não desistiu
da carreira e, atualmente, é professora universitária.
A quinta convidada, Flavia Midori, estava nervosa e tímida, porém,
conseguiu deixar seu recado. Apesar de ter passado seis anos fazendo o curso de
jornalismo - que pode ser terminado em quatro anos -, formou-se e, hoje,
descobriu uma paixão: a produção editorial.
A última a falar foi Táia Rocha, a mais animada da noite. A
jornalista contou que sonhava com a profissão desde os nove anos, quando um
crime aconteceu no bairro em que morava, em Volta Redonda. Lá ,
criou um jornal local, que durou quatro anos. Passou pelo Jornal do Brasil,
pela assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura e, hoje, está na
Agência EFE.
Durante mais de duas horas de conversa, muitos
questionamentos surgiram. O confronto de idade e cargos foi decisivo para
mostrar o que vem mudando na profissão. As redações, de qualquer área, estão
sendo cada vez mais reduzidas e o jornalista, que antes tinha tempo para fazer
uma apuração aprofundada e bater seu texto, hoje, precisa ser cada vez mais
multifuncional e rápido. Um bom exemplo foi dado pelo professor João Batista. “Em 1974, quando estava no jornal, eram 50 jornalistas de
geral e 12 copy-desk”, contou.
No ano de 2012, não existe mais copy-desk (revisor de texto)
e uma grande redação possui cinquenta jornalistas para todas as áreas,
incluindo estagiários.
No entanto, as novas tecnologias utilizadas pela imprensa podem ajudar a fazer um jornalismo com mais conteúdo, mais
rico em imagens e em novas plataformas de exibição.